Ainda ninguém me pregou uma partida hoje e o dia está quase a acabar, pensei eu minutos antes de o telefone da urgência tocar no seu toque histérico e irritante que costumam ter os telemóveis das urgências e que eu acho que tem como intuito accionar o botão do sistema nervoso simpático (pai da adrenalina e congéneres) antes mesmo de ouvir a má notícia. Rápido, doutora, o bebé deixou de respirar!, disseram do outro lado. Eu lá fui a correr, mas claro que isto não seria mais do que uma partida, uma mentirinha inocente do dia das mentiras. Eu chegaria lá abaixo, suada e ofegante, e estariam todos a congratular o engraçadinho criador da ideia. Era eu a descer as escadas e eles já lá em baixo a rirem-se da minha ingenuidade. Eu a entrar assustada sala adentro e o bebé a dormir confortavelmente ao colo de um enfermeiro. Mas não. Quando chego à sala, o cenário era, estranhamente, o que sinteticamente me tinham descrito ao telefone. Realmente. Bebé cardiopata não brinca em serviço. Nem no dia das mentiras.
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